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| 08/06/2006 |
A oficial menstruada
Eu poderia contar como ela nasceu e destacar algumas passagens em sua curtíssima vida, mas nada se compara à narração de seus últimos dias. Intensos dias que reconfiguraram seu perfil intrigante de mulher. Barulhentas horas, decisivos minutos submetidos aos ditames da natureza impiedosa. Nada em sua vida civil se compara ao lugar em que ela estava quando morreu.
Foi na guerra. Virginia era uma mulher de 21 anos. Treinaram-na para a pilotagem de tanques sofisticados. Em pleno campo de batalha, ela dividia acampamento com mais vinte e cinco homens, nos dias em que a guerra atingia o seu ápice. Sentia falta de companhia feminina, principalmente agora que a sua menstruação estava próxima.
Branca e esbelta, não era bela. Tampouco despertava a curiosidade dos demais soldados, todos cansados com o trabalho no front. Passou a se preparar para conseguir aliar sua guerra hormonal com os afazeres de guerrilheira oficial.
Uma descoberta encheu-lhe de desconforto: havia esquecido na base o seu pacote de absorventes. Sem água para se banhar, descobriu então que não seriam fáceis os próximos dias. Rumo ao ataque em Basra, impetuosa, pensava em como superar esta dificuldade. O sangue passou a jorrar de suas entranhas e ela não conseguia disfarçar sua inquietação, seu medo de feder e não ser compreendida. Nervosa, logo sua mente começou a gerar imagens alucinantes. O medo de que feras viessem atormenta-la, famintas no deserto. Como se no deserto outras feras ali existissem, além daqueles soldados no tanque de guerra que ela dirigia. O ambiente fechado aumentava sua ansiedade. Entrou em pânico.
Lutou ferozmente na conquista da periferia de Basra. Resultado da operação: sete mulheres e crianças feitas prisioneiras. As crianças com seu choro inocente a enchiam de um pavor tão indescritível que chegou a chorar também, como se estivesse em seu quarto no Brooklin. Todavia, estava entre as ruínas de uma cidade invadida. Caminhou por entre os prisioneiros.
Aproximou-se do grupo de mulheres sentadas, vigiadas por quatro dos seus colegas. De repente, o gesto de uma senhora a comoveu a ponto de trair a si própria. A senhora interrompeu seu choro para lhe oferecer um trapo que rasgou da própria roupa, como que sentindo no vento forte o cheiro que as igualava. O trapo, entendeu logo, serviria para lhe amparar seu sangue de mulher. Recebeu o pano e, lhe respondeu, envergonhada: thank you. A outra, por sua vez, abraçou-se com uma menina, talvez sua filha ou neta, e voltou a chorar. A menina fitava a soldado, em contrapartida.
A noite passou e ela observava, de dentro do tanque, aquelas pessoas submetidas a uma invencível tempestade de areia noturna. Chorando, resolveu tomar uma atitude: pegou sua granada e, num instante, libertou os prisioneiros, deferindo o armamento contra o local onde se aglomeravam seus companheiros, matando dez deles e atordoando os demais. Enquanto liderava o bando de mulheres e crianças que gritavam, como que pedindo socorro ao vento bravio.
Os jornais do ocidente repetiram a versão oficial da notícia, alegando um ataque de voluntário árabe suicida, mas para ela, agora, pouco importava. Dois dias se sucederam e serviram para aproxima-la da comunidade que libertara e que, entretanto, ainda lhe via com desconfiança. Foi dela mais uma idéia audaciosa, desta vez um plano de como atravessarem a fronteira.
De posse de um veículo que lhes cruzara no deserto, planejou atravessar discretamente as mulheres e crianças pelo cerco de soldados aliados. Continuava a contar com a ajuda das mulheres do grupo para se manter limpa. Embarcou com elas no automóvel, rumo ao sul, rumo a terras mais calmas. A frágil solidariedade entre inimigos, transformados em únicos aliados mantinha unido o grupo. Estava confusa, menstruada e se sentia estranhamente feliz. Um motorista dirigia a van. Ela, escondida aos pés dos passageiros no banco de meio, espremia seu ventre, para atenuar o nervosismo.
O cerco foi visto ao longe pelos guardas de fronteira, em sua maioria soldados norte-americanos. Ela ordenava o motorista para que continuasse a correr, que ele não parasse o carro. Adiante, os soldados empunharam suas armas, diziam “stop”, enquanto ela, dentro do carro, gritava “run”. O motorista obedeceu à ordem da desertora, as mulheres e crianças cantavam alto, rezavam talvez. Ao passar pelo posto oficial, uma rajada de balas de fuzil lhes atravessou a todos. A criança ao seu lado teve a cabeça arrombada. Somente ela sobreviveu. A música deu lugar aos gritos até somente se ouvirem tiros e depois os passos e as vozes dos oficiais que se aproximaram do carro com as rodas para cima. Ela, visivelmente machucada, foi arrastada pelos cabelos e espancada até o acampamento.
Os noticiários anunciaram a barbaridade, sem saber que uma oficial americana coordenava a fuga. No acampamento, ela foi morta e seu corpo exposto como traidora, sem honras, o mundo jamais soube de sua existência. Mistérios seriam jamais benvindos. Quando a razão se falta por completo, a mentira se torna remédio para vontades doentias. A motivação de Virginia as mulheres mortas a levaram consigo de volta para a natureza.
Murilo Guimarães 02 de abril de 2003.
Escrito por Murilo às 22h03
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| 19/10/2005 |
www.epiak.blogspot.com
Escrito por Murilo às 01h41
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| 12/09/2005 |
"Amar" (Bené Fonteles / TT Espíndola)
Amar é um dom de viver
sentir alguém mas primeiro se amar
Achar no tom todo o ser e ao sofrer tudo purificar
A vida dói quando aquele que amou correspondido não foi na intenção São muitas dores pra um só coração E a vida traz para aquele que amou nu, sem apelo O vestir de emoções Outros amores nas novas canções...
SÍTIOS DE TT E DE BENÉ
Escrito por Murilo às 22h57
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| 02/09/2005 |
Rio de Contas
   
Estou na etapa final de produção do Documento Agenda 21-Rio de Contas. Quem desejar ler um trecho do capítulo sobre o passado, venha por aqui.
Escrito por Murilo às 03h13
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| 26/08/2005 |
10 pedidos de um cão

Homenagem à minha maravilhosa Mel Lisboa
1- Minha vida dura apenas uma parte de sua vida. Qualquer separação de você significa sofrimento para mim. Pense muito nisso antes de me adotar;
2- Tenha paciência e me dê um tempo para que eu possa compreender o que você espera de mim. Você também nem sempre entende imediatamente as coisas;
3- Deposite sua confiança em mim, pois eu vivo disso e vou compensá-lo por isso mais do que ninguém;
4- Nunca guarde rancor de mim ou me prenda de castigo se eu aprontar alguma. Você tem outros amigos além de mim, tem seu trabalho e seu lazer, mas eu só tenho você;
5- Converse comigo! Eu não entendo todas as palavras, mas me faz bem ouvir sua voz falando só pra mim;
6- Pense bem sobre como você, seus amigos e visitas me tratam. Eu jamais esqueço;
7- Também pense, quando quiser me bater, que eu poderia quebrar os ossos de sua mão, mas eu não lanço mão de tal recurso;
8- Se alguma vez você não estiver satisfeito comigo, porque estou de mau humor, preguiçosa ou desobediente, pense que talvez minha comida não esteja me fazendo bem, ou que tenho estado muito exposta ao sol, ou que meu coração já está um pouco cançado e fraco;
9- Por favor, tenha compreensão comigo quando eu envelhecer. Não pense logo em me abandonar para adotar um cãozinho novo e bonitinho. Você também envelhece;
10- E quando chegar meu último e mais difícil momento, pois será o da partida, fique comigo. Não diga “Não posso ver isso”. Com sua presença, tudo será mais fácil para mim. A fidelidade de toda minha vida deverá compensar esse momento de dor. Sentindo seu carinho, partirei sabendo que minha vida valeu a pena.
Escrito por Murilo às 21h27
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| 19/08/2005 |
LEAR
Antônio é um dos meus grandes amores. Mais que um amigo, esse moço já me deu banho, gente, vocês não sabem o que é isso! Eu, de repente, tinha ao meu lado um dos homens mais adoráveis da natureza. Os momentos foram cortantes e deliciosamente inesquecíveis. Nem parecia... Eu só sei que desde aquele dia em que ele veio me acudir, já tendo se mostrado um maravilhoso cavalheiro e assaz sedutor de incautas, eu sinto amor por ele. E não só por isso, tvz por cobiçar as esposas e os pavões no mármore branco. Ele é meu amigo e eu o amo, mesmo eu sumindo horrores e tendo o maior nojo do cocô do gatinho dele.
Beijos, meu amado Lear. Seu Deus para os seus passos e os nossos! 
Escrito por Murilo às 01h41
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| 10/08/2005 |
Ao homem idiota
Você não tem paralelo você já se olhou no espelho hoje? há alguém lá além de você? tantos falam por sua voz
atrás da cortina verde existe um escrito rupestre tatuado pelo tempo celeste na parede ancestral da pele
arranca a cara daí, vá ver deixe de buscar caqui em pé de tanjerina
você não tem você seu elo seu eco, cadê? exaure você em você.
Escrito por Murilo às 02h19
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| 01/08/2005 |
Visite meu álbum de fotos virtual
Epîak
Escrito por Murilo às 01h02
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Conversas de restaurante II
Carne não é o meu forte Tudo o que me lembra a morte assusta minha vontade de comer É como eu tô falando pra você
Esse negócio de poço, de corte talho mantido do sul ao norte apaga a luz de meu verão
Gosto muito mais de pão bolacha, biscoito da sorte cachorro gosta de de poste prefiro futebol de botão.
Escrito por Murilo às 00h38
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Conversas de restaurante I
- Carne não é o meu forte! - Me faz lembrar a morte. - Mastiga! - Engole! - Espirra! - Por falar em espirro, a mina sinusite está atacada. - Atrelada à minha dor de cabeça. - Quase morro de vergonha. Conte-nos uma mentirinha risonha...
(Todos na mesa riem alta geargalhada)
- A minha família é simples. - Mônica é parente de Figueira. - Meu pai e meu avô. - Socorro! Não consigo respirar. A minha sinusite contra-ataca. - Em toda a minha vida não me sinto. - É a superfície.
(Um deles pede a conta)
Não se consegue ouvir a conversa, apenas as vozes desarticuladas aqui e ali! Maria Rita cantando, pois o espetáculo não pode e não deve parar...
Por Nailton Ronei Lima.
Escrito por Murilo às 00h35
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Conversas de restaurante
De quando em vez um deles recita o vebo comprar A moça garante estar a par da moda nova de Salvador
Aquela de camisa branca parece dentista, antiséptica ao lado da outra, antipática encara a bicha enrustida
A assustada repete animada "olha, comprei esse lindo colar"
Escrito por Murilo às 00h28
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| 30/07/2005 |
Norte América por outra via

I can't understand human curiosity - Controversy Was it good for you? Was I what you wanted me to be? - Controversy Do you get high? Does your daddy cry? - Controversy Controversy Controversy (1981)
Todos os momentos livres que tive de segunda a hoje, inclusive horários de almoço, eu usei consumindo a musicalidade deste grande herói pop star. Minha predileção por Prince, no terreno funk, vem da aproximação de sua música com o rock, seu visual desconcertante, sua poética de rua, quase concreta, ora barroca para mim, e remonta aos meus 9 anos de idade.
1984, Purple Rain. Aquilo me arrebatou e imediatamente Prince, junto com Ney Matogrosso, assumiu a ponta de meu gosto musical. Adeus Balão Mágico, bom dia Smiths, alô Cazuza, bemvindos tropicalistas. De certa forma, foram aqueles dois quem me facilitaram a aproximação com todos os outros artistas que eu viria a gostar, musicais ou não.
Eu percebo até hoje uma influência silenciosa de Prince na música industrial que se produz no Ocidente e não apenas nos EUA. Carlinhos Brown revitaliza o estilo Glam Pornô de Prince e sua exagerada utilização dos meios culturais, inclusive eletrônicos. Arquitetura: Paisley Park/Gueto Square-Ilha dos Sapos. The Revolution/Timbalada. Prince está encravado no som que se produz e, como todo grande músico, não deixa incólume o mundo, todas as vezes que cria algo novo. Ame-o, odiá-lo é bobagem. Não precisa mergulhar, com Brown, apenas sinta. Eu, sempre que posso, vou lá e me banho. Música boa é para isso mesmo.
Os vídeos... O que são os vídeos de Prince? De Controversy a Cinnamon Girl. E os filmes?! Que loucura impossível é Under the Cherry Moon? Por favor, sem preconceitos, assistam ao filme Purple Rain. Pérola pop, melhor que todos os filmes musicais da época (82-87). A trilha sonora é incrível, jamais envelhece. Purpuríssima arte pop.
A tempo, não caiam na armadilha de compará-lo a Michael Jackson. Nem se confundem as escolas, nem a música, a de Prince infinitamente superior. Ademais, sua postura ousada, negra topetuda, falo feminino, sadia. Os EUA são desafiados por este grande artista. Freaks on this side! Toda cor. Demais. Inacreditável quase, porém aí, vivo e lindo. Todavia, Testemunha de Jeová, mas vá lá, é Prince. Sem preconceitos.
Escrito por Murilo às 21h32
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| 21/07/2005 |
BJORK
  Clipe novo, Triumph of a heart. Não deixem de ver >>>>
Aproveitem para dar uma olhada também no clipe de who is it?
Ambas músicas do álbum Médulla.
Escrito por Murilo às 00h28
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| 19/07/2005 |
Preceitos ecológicos de Padre Cícero

Não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau
Não toque fogo no roçado nem na caatinga
Não cace mais e deixe os bichos viverem
Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer
Não plante em serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza
Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água de chuva
Represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta
Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só
Aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca
Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gato melhorando e o povo terá sempre o que comer
Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai vivar um deserto só.
Escrito por Murilo às 13h36
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| 07/07/2005 |
Meu querido amor me deu de presente um belo poema de Elder Oliveira, conhecido escritor de Poções/BA, cidade próxima a Vitória da Conquista. Resolvi dividi-lo com todos vocês.
MAÇÃ

Tua parte que eu gosto é uma maçã.
A maior prova disso é minha flecha certeira.
Atingi-la sem causar nenhum alvoroço no pomar.
Escrito por Murilo às 10h36
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