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| 06/10/2004 |
Pseudo haikai
Aniquilar inimigo interno manter, porém, a segunda via. O caminho a seguir: morrer em si viver além.
Escrito por Murilo às 22h38
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Recuperando o passado
Bem, de agora em diante, vocês re-lerão alguns posts que estavam no antigo Livro de Bolso. Sim, tive que refazê-lo, porque deu um problema qualquer que eu não conseguia mais postar ou esvaziar a pasta de arquivos. Trata-se da desfragmentação de um conto, de uma foto minha na infância, de um conto e alguns poemas meus, estes escritos especialmente para Blog.
Sem saudosismos. É que para projetarmos o futuro, temos que recuperar o passado e compreender o presente. No mais, é tudo novidade!
Escrito por Murilo às 18h13
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Desconstruindo uma história
Participei de uma experiência muito interessante e desejo disponibilizá-la aqui também no Livro de Bolso. Tudo surgiu com o convite de Nano Costa, do Nada de Novo, para que, junto com outros poetas, fizéssemos a desfragmentação de uma historieta original, proposta por ele. E foi feito.
Confira o resultado, conforme apresentado no Blog de Nano.

Escrito por Murilo às 18h05
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mini-conto 2
Segue a experiência dessa semana, um mini-conto desfragmentado por 5 poetas, cinco ângulos de um mesmo temo, resolvi por colocar cada desfragmento separado com o nome e endereço eletrônico de cada um dos poetas... fiquei muito feliz de ter realizado essa brincadeira e só tenho a agradecer todos vocês... tenham um ótimo final de semana...
COINCIDÊNCIA
O Tempo e o Destino completam-se, são paradoxos que giram em eterna harmonia: O Tempo é o consumir da vida, o Destino é o nascer de novas possibilidades...A coincidência é o encontro de ambos por uma força maior...
Um homem é levado para forca, foi condenado a morte por ter esfaqueado seu próprio filho de cinco anos, o povo enfurecido grita: “Forca ao assassino!” O homem segue sem ânimo, triste, desiludido, vai sendo arrastado pelo Garroteador para o cadafalso, até que uma velhinha, cega de um olho, no meio da multidão grita: “Me enforquem no lugar deste desgraçado!” Fez silêncio... O Garroteador sorriu e disse: “Se assim deseja, assim será...” A velhinha num lento remanso foi até o homem que estava imóvel, incrédulo; ela lhe deu um beijo e entregou um pião, se dirigiu para a corda púrpura e seguiu a sina escolhida, a multidão fechou os olhos, ela, permaneceu com o único que tinha, arregalado, e, em seus últimos suspiros, pode ver um garotinho no meio da multidão lhe dando adeus com os olhinhos imersos em lágrimas.
Nano Costa: http://literatura.nadadenovo.zip.net/
SOLILÓQUIO DO CONDENADO
Filha da puta! ... que pressa é essa?... alimentará, os porcos com meus próprios horrores... os carniceiros podem esperar,... adie a degustação e faça-os gozar nas calças de tanta satisfação e quiçá vomitar seus males, se tiverem coragem... duvido!... enganem-se se dizendo melhores que eu,... "Mãe?! Mamãe?!!"... Bastaaaaaaaaaaaaa!,... Cala a boca, moleque jazido! Ela se foi... foi embora,... já não chega a minha dor? Já não me atordoou o suficiente denunciando meu fracasso e acusando-me: incompetente?,... e esse seu sorriso doce e o amor inocente pela vaca da sua mãe?... merda! Tinha que espelhar o pior de meus erros em mim?... Tinha que me esfaquear com seu sorriso chamando a mãe?,... e agora jaz, como eu, por essa mesma vagabunda que me deixou!... por que foi que partiu?... vamos, terminem logo,... sirvam-me aos porcos,... quando foi que deixei de te servir?... Quando?... onde está, Hannah?... Não a vejo! Vaca!... onde esteve? onde está? ... cala a boca, velha maldita! ... cala-te! ... a voz, ... essa voz... algo de conhecido,... algo de vivido,... Como, no meu lugar? ... está maluca? ... Eu o esfaqueei,... preciso dar um basta,... preciso,... cadela, vai me emocionar agora?... esse beijo me traz a memória do que não tive,... e esse cheiro envelhecido?! (...) rodopio em lembranças esquecidas de um tempo remoto,... cinco anos,... pião perdido no tempo num rodopio do destino,... Por que me vejo nesse olho só?... e vocês, porcos,... ela é melhor que todos juntos e não suportam suas próprias culpas? Vejam! Olhem! (...) Olhem, covardes!,... Olhem para a... "Mãe?! Mamãe?!!",... olhe para mim com esse olho e só,... (soluço)... adeus!
Decca: http://papirus.zip.net/
Escrito por Murilo às 17h58
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DESFRAGMENTO DA FORCA
" [ ] huuuuu [ ] trile, trile, trile.... snock, snock...TRAGU TRAGU TRAGU... trile, trile, trile... [ ] snock, snock.... TRAGU, TRAGU, TRAGU.... trile, trile, trile..... splechium...... trile, trile..... enhencu, enhencu..... trile, trile...... [ ]"
Ramon Alcântara: http://literatura.nadadenovo.zip.net/
DEIXAR-SE IR
O pai do garotinho leva alguns minutos até alcançá-lo. Abaixa-se e vê seus olhinhos enuviados no meio da multidão, que esperava a forca dos doze condenados. O homem segura forte a mão do menino e lhe entrega o pião. A avó acompanha atenta a ação entre o neto e o genro, chora e lhes acena pela última vez. O pai então leva a mão aos olhos do filho e o impede de ver a execução da velha senhora.
Eles seguem para casa, o menino contempla o pião por todo o percurso. O homem não lhe solta a mão.
Os dias rodam, a vida passa, o pião é brinquedo de todas as horas. O pai entrega-se ao trabalho, há muito tempo sem a mulher, que morreu também misteriosamente. A criança vez por outra o espia e o vê repetindo as machadadas na madeira recém extraída, para fazer a lenha do forno onde assam as cerâmicas que vendem juntos na feira.
O tempo passa tranquilo. Naquela quinta-feira, porém, de repente, do machado pula uma farpa que se enterra no olho esquerdo do pai. O menino deixa o pião para socorrê-lo e se espanta com as lágrimas vermelhas.
No domingo em que se completava o primeiro mês dos enforcamentos, a madrinha passa para levar o garoto à missa matinal. O menino o informa que pedirá a Deus pela alma da mulher que morrera em seu lugar. O pai abraça-o e lhe pede para que comam juntos o almoço.
Ele chega da igreja e encontra o pai cozinhando. O cheiro forte da comiga toma toda a casa e o menino se anima. A madrinha despede-se, beija a face do garoto e sai, mesmo percebendo a estranheza do momento.
Pai e filho sentam-se e comem silenciosamente. O primeiro a cair estremecendo no chão foi o pai. A criança desespera-se, mas em pouco tempo também já tremia. Antes de morrer, repara que o quadro com a fotografia da mãe não estava mais sobre o armário feito pelas mãos do homem que agoniza à sua frente. Procura, como que para realizar um último desejo. O retrato so deixa entrever entre os bolsos da camisa do pai, ensopada de sangue coalho. Lembra-se da mãe de sua mãe à espera da forca.
A madrinha, que tanto se parece com elas, retorna e grita, ao ver que nada mais pode ser feito. O garotinho desenha na face um sorriso cândido, no momento em que se entrega à vontade inquestionável da morte.
Murilo Guimarães: http://livrodebolso.zip.net
Escrito por Murilo às 17h57
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Recuperando o passado_01
Eu, com cinco anos. Quintal de casa, antes do desfile de sete de setembro. 1980.
Escrito por Murilo às 00h20
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Recuperando o passado
Do homem que come tartarugas verdes
Eu compreendo o medo da mãe-tartaruga, ao botar os seus ovos numa praia de Abrólios ou Madagascar. Esse medo sempre existiu, havia os bebês-tartarugas na terra primitiva; havia e ainda há os bichos que desejaram come-los bem pequenos. Há os peixes que as engoliriam, se encontrassem a oportunidade, antes do alto-mar.
A própria água, futuro incerto, casa de rocha fluida no começo amedronta, ao tempo em que incita, chama. A tartaruga-mãe é uma sobrevivente da terra, da água e do bicho. Quase imbatível em sua grossa casca.
São animais que correm perigo quando estão entre os seus. Alguns são mortos verdes, em plena vida. Não por tubarão, baleia, nem réptil. Não haveria dragão capaz, nunca houve, inclusive.
Aquela mãe-tartaruga verde apenas consegue sentir o monstro capturá-la. Outras tantas ali com ela suspensos, envoltos numa rede, igualmente verdes. Seus gritos jamais são ouvidos, pensamos até que são mudas.
Comemos seus ovos e depois sua carne. Os ossos e cascos para a arte ou o costume. Todos são aproveitados, se saudáveis. Pratos, comida e óculos, enfim. Para nós, brasileiros, uma nota de dois reais é memória de tartarugas-verdes.
Para quem as come com freqüência no Brasil, este dinheiro guarda reflexões. O que não ocorre com as galinhas, personagens desenhados sorridentes em caixinhas, facilitando nossa degustação do caldo, do filé. Nem as vacas, nem os porcos. Diferentes dos macacos e das onças, outras preciosidades.
Olhando um título de dois reais, o freqüentador de restaurantes vez por outra pensa em fundar uma criação industrial de tartarugas: milhares de ovos, numa praia artificial... Vê logo que não dá para ser e se espanta. Sente asco, guarda o dinheiro e segue sozinho ao lado dos demais viventes. Não irá experimentar o companheirsmo dos iguais, antes da definitiva captura.
Da série "Plantas, pessoas e outros bichos"
17.07.04
o coração _ poema em estado bruto
pulsa pulsa a chama arde desejo solto voa se cavalo até sua casa correria seu corpo na soleira abraçaria
a roupa rapidinho arrancaria sua boca minha língua lamberia a vontade do meu prazer nasce e cresce em você
se aqui do meu lado esconde o mundo lá fora assim responde quando se encontram é prá valer girando criando nada a perder
minha ciranda de roda vai e vem no scoop mergulha energumena na mesa no chão no colchão sorri deliciosamente o coração ...
Aventura _ aos blogueiros
Lá vou eu pelos vales da cidade acesa raios fulminantes sobre minha cabeça trovões desejando-me bom dia
os amigos que seguem ao meu lado revelam rostos entreabertos vejo-lhes a alma a cada raio que passa
minha alma também revelada transborda sonhos e gostos serei eu o que vejo no espelho?
ver ouvir sentir: tudo muda o pensar do outro altera meu caminho a trilha aberta me diz por onde ir
todos os barulhos juntos todas as cores e todo o brilho toda sorte de prazer e de risos
meus dedos tocam a asa da borboleta um homem me abraça em Paris sua mão me desperta em Sampa
lá vou eu pelos vales da cidade acesa trovões e raios sobre minha cabeça, luze minha encantada travessia.
Escrito por Murilo às 00h15
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