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| 23/10/2004 |
Minha cabeça, por Klee
Gosto muito desta imagem de Paul Klee. Este Head of a man (going senile), de 1922 parece me mostrar o meu próprio rosto nos momentos em que as decisões têm que atropelar o desejo e tornar-se, em si, as donas do meu destino. De fato, é o olhar do homem tomando consciência de si mesmo e de suas responsabilidades para consigo. O homem do século senil, sobrevivente das minas e dos campos. Adoro Klee!

Escrito por Murilo às 16h55
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Últimas 48 horas
Nem fiquei para te ver, saí não perguntei aos universitários tampouco cartas, ou placas desceu da torre a Rapunzel
Quis apreciar outros olhares e ao cortar a rua com meus pares encontrei alguém igual a ti
Nem lhe dei as mãos sequer um beijo embora fosse mais fácil equilibrei-me na tua lembrança
E não foi só tua voz no meu ouvido houve também um desejo maior que tu algo que não mais deixarei de perseguir.
Escrito por Murilo às 16h12
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| 22/10/2004 |
Se querem saber
Voltei, depois de uma semana em Salvador para um curso. Se me perguntarem como anda meu coração, direi que é preciso esperar mais alguns fatos, até que ele se resolva pelo sim ou pelo não. Afinal, de nada valem a amargura gratuita, ou a alegria da mesma sorte infundada. Serei paciente.
Deixo aqui o post sobre o show dos Hermanos que fui ontem, assim que cheguei da capital. Por lá, ACM perde por hora por 66 x 25. Pena que São Paulo parece desejar retrocesso. São Paulo não é o Brasil, assim como a Bahia não é só Salvador. Não é hora de meter o pau em João Henrique, o bobo que desbancará o PFL. Até porque minha cota de maledicências contra os soteropolitanistas esgotou-se desde terça. Sou mais a caatinga ou a zona da mata. Nada contra os bons.
Assim, deixo vocês com a história do show de ontem. Amanhã, apareço com outras novidades, assim o espero. Enquanto isso, segue desarmando-se o meu coração.
Escrito por Murilo às 20h57
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Casa na sacola
Muito bom o show do Los Hermanos, ontem, aqui em Conquista! Levei minha casa inteira na sacola e não tive pudores em armar ali um circo só meu.
Minha predileção dentre os integrantes da Banda é, sem dúvida, Rodrigo Amarante. Grande poeta e cantor. O cara domina o palco, mesmo quando não está cantando... Tá bom, vou contar uma história que eu não sei se aconteceu de verdade: da platéia, comecei a acreditar que Marcelo Camelo me observava - eu permaneci bem perto do palco, num local mais vazio e longe de Rodrigo, diferente de muitos que preferiram passar o show mais próximos a este. Eu era um dos poucos que esvaziavam o lado direito do palco, perto do olhar de Marcelo. A história que eu não sei se aconteceu: Marcelo notava que eu cantava junto com Amarante e errava sempre as letras compostas por ele. Parei de dublar as canções, pois senti mesmo que Camelo se aborrecia comigo.
Até que Rodrigo cantou Sentimental. Deus, que bela música e que linda presença de Rodrigo! Que voz, que alma, que suspensão apaixonada e febril daquele cara. Eu mantive-me estático durante a execução desta música - chorei confesso - e pouco respirava. Lindo momento, até que encarei outra vez Marcelo e este me olhava odiando o que via. Senti arrepios e, ao olhá-lo outra vez, ele já não me encarava. Pensei: se4 isto for verdade, ele somente percebe alguém que não o predileta, mas a outro. Se se sente traído é sem propósito. Porém, quero mesmo crer que tudo não passou de uma alucinação, tipo assim. Até porque ele é muito bom também, apesar de mais pueril e menos pungente, o que me mostra o por quê de gostar tanto de Amarante.
Depois do show, fiquei para tietar e Amarante saiu, talvez para conferir sua popularidade. Eu não me acanhei de procurá-lo e tocá-lo enquanto ele ia e, quando ele voltava para o camarim improvisado, disse-lhe, com estas palavras: Gosto de você pacas, velho!. Ele respondeu, Valeu! E eu o toquei mais uma vez. Marcelo Camelo recebeu garotas frenéticas e namorados astutos em seu sofá. Rodrigo preferiu sair e me encontrar, por certo. Mesmo quando não tocam o fio do real, os fatos têm sempre sua própria vontade e não conhecem as barreiras do apego e da tradição, ainda que ocorram somente no meu sonho vivido, que fiz sobreviver por entre as bugingangas que trouxe na sacola, junto com minha casa reconstruída pelo show de um promissor roqueiro poeta.
Escrito por Murilo às 20h27
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| 17/10/2004 |
Os velhos castelos de areia
A paixão pura e simples, uma casa caiada. O ser sexual ainda me deixa tolo, bambeando entre os corpos apetitosos. E o meu apetite? Sou um homem que procuro amor em tudo e assim me sinto intranquilo.
Há alguns dias, eu passei a acreditar que as pessoas desejam constância e diálogo, numa relação sexual, embora algumas tentem indicar o contrário. Deixei para trás a dúvida sobre isto, uma vez que todos que se aproximam querem muito sexo, todavia expressam aquele ar de medo e desejo, vulnerabilidade, anseio por um acontecimento duradouro, firme. Mesmo entre os maridos e mulheres. A reprodução da espécie é algo controlável, vive-se o prazer, como um culto à nossa capacidade; os noivados são hoje como contratos de infelicidade assinados apenas para exibição pública. As cortinas...
Aqueles que dizem não querer envolvimento dizem uma grande besteira. Não se envolver significaria não tomar contato de toda espécie. É a fantasia de promover o mórbido descarrego fútil de gozadas destemperadas, em camas frias de motéis e kitnetes.
Ninguém suporta tamanha impessoalidade por muito tempo; toda pessoa deseja abraços e beijos, sejamos amigos, amantes, irmãos, ou filhos. Não são todos os momentos sexuais. Se Platão teve razão, somos uma infinidade de almas-metade uma da outra, tentando encaixes entre o seu e o corpo alheio. Porque a alma tem o corpo e não o corpo tem a alma. Meu corpo é a minha alma, pois ela o precede. Não se envolver ao tocar o corpo de alguém é impossível. Ingenuidade doentia. Precisa ser vencida como mal que é.
Escrito por Murilo às 21h02
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