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| 04/12/2004 |
não tem jeito_outra vez, o coração
E eu te toquei nos lugares onde gosto de tocar em ti e me tornei parte de teu dia e de tua noite porque se tu fugias agora já não foges laçamo-nos com palavras quentes
e foi nossa cama o chão fervente por meia hora preciosa, agora dia seguinte penso em ti mais que nunca
nos intervalos, nas portas das igrejas sobre o d'ouro chão de Rio de Contas meu beijo só a ti encontra e estoura figuras lindas em teu olhar
se sorris agora sorris por mim e eu por ti. A saudade o teu cheiro a tua voz a tua mão em minha perna a tua na minha o riso solto o tesão doce
a curva de tua cintura na minha palma meu suor tua saliva teu lábio tua música meu sonho é teu e minha porta aberta te aguarda porque tens a mim e a minha vida te tem.

Por mim, estamos juntos nesta e na próxima teu olhar me disse que sim e eu vim abraçando o gosto de teu entre-pernas querendo mais e tendo certo o quereres tu o meu peito batendo junto ao teu.
Escrito por Murilo às 23h50
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| 03/12/2004 |
Outra vez, de novo!
Estou indo agora para Rio de Contas. Trabalharei novamente o sábado e o domingo. Mas, acho que poderá ser legal, este trabalho tem me agradado muito. Espero voltar com fotos! Amanhã, por lá, dou mais uma postada (ai!), contando como foi este fim de noite em Conquista. Talvez, o Livro de Bolso entrará numa fase mais voltada para os temas de meus trabalhos, que são bem interessantes. Tenho achado o Livro muito sentimental, até piegas.
Hoje, pensei mesmo que os textos estão bobos demais e melosos. Não gosto disso! Porém, acho mesmo que estarei mais voltado para temas da mente, deixando um pouco de lado o coração. De vez em quando um poeminha ou outro, até porque, vá lá, não podemos deixar o amor...
Não falei?! Este blog está precisando de um bom jato de água fria! :)

Até amanhã.
Escrito por Murilo às 20h15
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| 02/12/2004 |
Zoo, lógico!
Resolvi postar um conto antigo meu. Talvez de 1998, ou 99... Trata-se de uma experiência de leitura de mundo, como todo conto e, portanto, todo livro. De certa forma, este texto me faz lembrar o verso de Cazuza: "A inocência cruel das criancinhas e seus comentários desconcertantes". Só as mães são felizes, mesmo mortas. Para os navegantes mais dispostos, boa viagem!
O livro
Toda a verdade e toda a mentira, tudo está nos livros. Toda a ciência, todas as palavras dos mestres. Nada falta por entre as letras, nada se deixa escapar das páginas trancadas, fechadas, depois que o texto acaba.
Ah, estranho ofício, ócio difundido entre as gerações. Poetas enterrados sob escombros das palavras das quais fora escravo durante toda sua vida. Médicos, operários, donas de casas cheias, ninguém escapa ao chamado. Seja uma cartilha ou uma carta, em qualquer coisa um livro se faz.
Como quando aquela mãe levou o casal de filhos pequenos para passear no zoológico da cidade.
A tarde se fazia limpa, o céu resplandecia fielmente a inocência das crianças fascinadas diante das jaulas trancadas. Todos estavam entregues à imitação da selva primitiva, indiferentes às grades que separavam os que eram e os que não eram humanos. Todos ali se tornaram micróbios de um mesmo organismo vivo, dotado de uma mansidão tão morna quanto a tarde de domingo em que esta estória se deixa inventar.
Até as duas crianças verem o leão e a leoa. Na jaula enorme e mal cheirosa, os animais gozam do não conhecimento da verdade ínfima, pois, presos ali, dependem dos olhares curiosos para se fazerem existir e compreender. Para serem lidos, aqueles dois gatos magníficos se fingiam santos e dóceis. Não havia quem não quisesse se juntar a eles. Como se conseguissem comunicar um estranho chamado; surdo, mudo, feito apenas de olhares e hálito de leão enjaulado.

Para as nossas crianças, um casalzinho formado de dois pequenos e inquietos seres acompanhados da pata-mãe, os leões eram um mistério muito maior do que os macacos ou as araras. Pararam diante da grade e se puseram a contemplar. A mãe saiu para comprar algo para beber e os ensinou a não se aproximarem dos leões, que são perigosos e comem gente. Os dois sequer sinalizaram em resposta, de tão dispostos que estavam a continuar olhando os reis.
Belos versos ecoavam no ar, este era o silêncio dos reis; estranha poesia, imemorável romance, fórmula hipnótica. Como queriam ultrapassar toda a cidade agarrados à juba e ao pescoço das feras. Quanta liberdade seria... Nenhuma das outras crianças que passavam se entregavam tanto. As nossas duas, no entanto, pareciam conversar com os felinos, surdos, lendo preciosa informação pelos ferros da grade. Aproximaram-se mais.
Foi num relance que tudo aconteceu. A menina correu por trás, pegou a chave, entregou ao irmão que tratou de abrir a porta da jaula. Bem que tentaram se agarrar às costas dos bichos, mas a leoa os impediu com um leve toque de sua pata dianteira. Traição. É o preço que pagam por libertarem os dois amáveis gatos enormes e lindos?
Escrito por Murilo às 00h48
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Não. Tolas crianças, vestidas para passeio no parque. Aprenderam nada ainda, elas sequer conheciam um deus para gritarem em seu nome uma palavra que fosse, e impedir que o leão derrubasse a mãe que voltava, para facilitar o serviço da fêmea faminta. O Zoológico inteiro corria, ninguém, além dos filhos, viu a pobre mulher ser aberta, em frente à antiga casa do rei e da rainha assassinos. Ninguém pôde fazer nada, nem a menina gritou.
Ali, diante do corpo, estavam os dois enormes gatos. Logo, aproximaram-se as duas crianças para ver... O quê? Os dois bichos os olhavam como que arrependidos ou talvez somente preparavam outra tática e agora seria a vez das duas crianças. Estas já não compreendiam o que acontecia, desde que foram tão mal interpretadas, não foi essa a ordem que eles deram às feras. Ou será que a ordem era essa mesmo e os leões só agiram de acordo com o que sua inteligência superior e o seu olhar sobre humano conseguiram captar, muito antes que realmente fosse tempo de acontecer? Quem deu as ordens a quem? Que poeta consegue não ser a si próprio no momento em que compõe sua sinfonia entruscada de palavras coloridas?
A leoa não parava um só instante e o seu macho cumpria com esforço o seu dever de não fugir. Num outro momento, algo de muito rápido também aconteceu: tiros derrubaram os reis no chão. As crianças, somente então, puseram-se a chorar, caíram sentadas. Duas mulheres vieram e as levaram para longe de tudo quanto para elas, de agora em diante, seria a mais inesquecível e inexplicável memória. Elas agora falariam a língua dos felinos e nada mais em suas vidas seria como antes. Tudo se invertera, até a tarde já era noite e, dentro delas, vivo e latente, o cheiro podre e envolvente da bosta e da baba dos leões libertos, matadores e mortos. A ordem fora aquela. Talvez um dia o tempo lhes responda a verdade e lhes traga de volta as palavras, subitamente estraçalhadas, como quando brincam de modelar massinha na escola. Suas pequenas mãos envenenadas, cheirando a ferro enferrujado e a juba de leão.

Quem controlará o que diz uma palavra solta? Quem jamais saberá o que, aquilo que foi estirado nas páginas de qualquer livro, representa? Que dentes e que pés esconde cada sílaba? Que poeta quis, que poeta soube evitar?
Um imenso carvalho fincado no chão. Somos mais nada depois que se fecha o livro, lida uma última página empolgante.
Crianças perdidas e seu sonho de atravessarem a cidade, seguras nos dorsos firmes do rei e da rainha da selva de mentira, construída bem diante de seus olhos, agora estão marcadas pela imagem de um corpo de mulher aberto em profundas gretas.
Escrito por Murilo às 00h23
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| 30/11/2004 |
Sinto-me bem
Vou dormir daqui a pouco. Algo em mim se anuncia aos quatro cantos meus. Algo muito bom, ao encontro do qual estou caminhando agora. Um acontecimento, um verso novo em minha história. Uma virada, um vento. Que o amor continue sendo minha estrada e a fé retorne aos meus sonhos. Que eu não me abata por crença que me diminua, ou certeza que me atordoe. Que eu me dê aos gritos de mudança, que meu touro se acalme e sargitário se faça. Como as orquídeas, as araras e os morangos. Como um cantor de samba ou heavy metal. O fim de mim. Vou dormir. Amanhã, atravesso as manhãs com afinco, as tardes sorrindo e as noites com a sábia e tranquila emoção dos que amam. Com desvelo e assim sucessivamente.
Escrito por Murilo às 23h37
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RSS-arte
No http://gb-log.zip.net/, há uma indicação muito legal de site. Trata-se de uma experiência artístico antropológica... rsrsrsrs Sem comentários, porque ainda não me detive muito tempo sobre ele, para ter uma boa opinião. Leia o que ela disse:
"Esse é o provavelmente o primeiro projeto de RSS-arte. A cada uma hora, escaneia os "feeds" de três serviços noticiosos de peso -- Reuters, BBC News e New York Times International News -- para deduzir quais são as as 100 palavras mais importantes do momento, em escala global. Essas palavras são associadas a imagens correspondentes, também garimpadas nos mesmos serviços noticiosos. O resultado é um mosaico de uma história líquida, pautada pela mídia, escrita por diversas fontes, sem interferência da edição humana, que aponta para um dos mais surpreendentes rumos da arte on line: o fim do antropocentrismo."
Será? Depois volto a falar... Por enquanto o link: 10 by 10

Escrito por Murilo às 09h56
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Papagaio

Estou de papagaio de pirata, nesta foto com Tharly e um amigo, no II Festival de Música da Uesb. Engraçada esta minha pescoçada e insensível o fotógrafo que não iluminou meu rosto. Mas, vai assim mesmo.
Escrito por Murilo às 09h37
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| 29/11/2004 |
Tenho algo mais a dizer
Eu senti nos últimos dias que os homens, os machos, continuam se reunindo em confrarias secretas. Este é um hábito eminentemente masculino. Sinto mesmo que entre os confrades ocorrem acontecimentos bizarros, como se fosse da natureza nossa, dos machos, a perversão.
A confraria para a perversão nos acompanha desde muito cedo. O segredo, irmão da perversão, é componente destes grupos de adoradores de falos e testículos.

Muito aquém do misticismo, não liberta, aprisiona. Seus mistérios são meros elementos da máscara. Todo pai confrade tem muitas histórias a contar. Os filhos podem nascer fadados ao martírio ou à frieza.
Não é meritosa a aventura em meio a machos inscritos em ordens misteriosas. Os segredos femininos revelam a luz e o dos homens, por diversas vezes, refletem a insanidade de manter-se ao mesmo tempo integrado e, ciente de seus desejos inconfessos, lançado aos usos banais da carne e da imaginação rasa.
O pênis agora tem valor de troca. Um corpo bonito é mais que um dom do guerreiro e o rosto é ainda mais um troféu a ser apreciado na memória triste de pessoas sem fé. Outrossim, sangue nos trajes rigorosos das trupes de malucos sorrateiros, que arrancam cabeças para dependurá-las no armário de suas vazias emoções.
Escrito por Murilo às 23h58
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Letrinha desconsolada de Morrissey
WILL NEVER MARRY
I'm writing this to say In a gentle way Thank you - but no I will live my life as i Will undoubtedly die - alone
I'm writing this to say In a gentle way Thank you ... I will live my life as i ... oh

For whether you stay Or stray An inbuilt guilt catches up with you And as it comes around to your place At 5 a.m.; wakes you up And it laughs in your face
Escrito por Murilo às 23h43
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| 28/11/2004 |
A volta roubada
Em seu pescoço o fio desenvolve linha circular um coração partido pendula-se em seu colo
na ponta do imperfeito triângulo da moça o pingente tem a cor dos olhos enuveados
passa apressado o dedo na maçã do rosto pálida recolhe-se à sua dor no canto do ônibus lotado
um homem ao seu lado antes de sair dali, rouba a volta dourada imperfeita pingente vai na mão cerrada
a moça sorri o rosto cora o homem lá fora roubara não o ouro ou a memória mas o peso da saudade
enquanto saia, a rua lhe dizia bem vinda novamente sozinha colo exposto da moça nua .
Escrito por Murilo às 18h15
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