Tsunami e a voz da natureza
Meu primeiro post deste ano chega sete dias atrasado, porém precisa se fazer valer. Antes tarde do que nunca. Se bem que o seu tema está refletido nos sentimentos dos últimos posts.
É que desde a passagem das Tsunami, eu venho refletindo bastante sobre nossa relação com a natureza. Eu não sou um crente dogmático para dizer que foi uma vontade alheia à nossa o que provocou esta tragédia. Eu realmente acredito que o que lançamos à natureza, seja bom ou ruim, ela nos devolve, em tamanho e magnitude bem maior do que as nossas capacidades. E me irrita esta despreocupação, esta alegria automática de fim de ano, que nos faz esquecer das centenas de milhares de vidas que foram abatidas pelas águas abaladas. Ao contrário das reações ao chamado terrorismo. Para nós, é mais fácil ter medo do próprio homem. Conscientemente guerreamos e nos batemos em busca do que o outro tem e sabemos que isso é roubo. Assim, tememos a sua reação e o nosso medo é cínico.
A natureza, dioturnamente aviltada por nós, racionalmente explorada, exploração esta hipocritamente justificada pela necessidade de evolução material da raça, como se este fosse o nosso único desígnio a cumprir aqui, demonstra sua força, porém se vê engolida pela nossa prepotência e sucumbe à nossa indiferença. Continuamos a ser o que sempre fomos: olhamos para as vítimas com piedade e assim não nos envolvemos. Provavelmente, baleias, golfinhos ou elefantes tomariam para si a dor do outro dizimado e se portariam diferentemente.
Não temos a natureza como inimiga, mas como objeto. Ao não percebermos sua voz, deixamos de saber nosso real destino e desvalorizamos as nossas relações com todos os seres do planeta, considerados vivos ou não. Todavia, o dia inteiro, soa música tão animadora lá fora...

Escrito por Murilo às 10h42
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