À mãe doente
Eu sinto como se as ondas fossem me arrastar também e de repente eu tremo nas bases, como se minhas palafitas dissessem que não querem mais segurar-me aqui eis que me afogo em meu medos e minha angústia tem causa
Nada além que a mãe doente e a vida dura aquém de minhas forças grita o destino avisa que a terra chama para si o corpo de quem já viveu o que deveria
A minha boca saliva a minha aflição meus dedos comem do calor a semente e a promessa se faz inteira em meu peito por entre as veias do coração
eu vejo o amarelo de sua pele seu órgão falido proclama o seu fim arranca de seus pés o chão e lhe diz "prepare-se para o último dia"
abraço-me à lembrança das colheradas de sopa minha vida em seus braços cresceu e me fez homem forte, reto e amigável, porém à saudade antecipada minha mente sucumbe.
Escrito por Murilo às 11h22
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