Manoel de Barros
Ocupo muito de mim com o meu desconhecer. Sou um sujeito letrado em dicionários. Não tenho mais que 100 palavras. Pelo menos uma vez por dia me vou ao Morais ou no Viterbo - A fim de consertar minha ignorãça, mas só acrescenta. Despesas para minha erudição tiro nos almanaques: - Ser ou não ser, eis a questão. Ou na porta dos cemitérios: - Lembra que és pó e que ao pó tu voltarás. Ou no verso de folhinhas: - Conhece-te a ti mesmo. Ou na boca do povinho: - Coisa que não acaba no mundo é gente besta e pau seco. Etc Etc Etc Maior que o infinito é a encomenda.
Em "O livro das Ignorãças", 1993.
Escrito por Murilo às 19h28
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Amigos que visitam este Livro, quero lhes pedir desculpas pelo sumiço. Não tenho me inspirado o suficiente, a despeito do muito que sinto vontade de dizer e ser aqui. De toda sorte, eu ainda vivo, vivo. Aos poucos vou chegando, meio sem muito mais a dizer. Embora eu vá lhes impor Manoel de Barros. Este poeta tem-me dito muito bem coisas inescutáveis. Talvez por estar ouvindo tanto, tenho dito pouco. Melhor assim, por enquanto.
Forte abraço em todos!
Escrito por Murilo às 19h14
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