Isto que agora está,
amanhã, não.
Mais tarde o que será?
Vai assim de sem graça
e pensa que a cura está aí, na vacina.
Um tempo e depois
olha o vômito.
A coisa de novo.
Vai entender o que manda e desmanda!
E aquilo que não controla.
Muito mundo pra gente.
por Daniela Maria abril, 2005.
Escrito por Murilo às 18h19
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Sobre "Edifício Master"
Gosto de assistir e de fazer documentários, porque as pessoas são infinitamente mais interessantes que os personagens. Os cidadãos são os melhores atores. "Dirigi-los" significa ser honesto com eles, amá-los ou odiá-los, mas sempre com inteira verdade. Decidir interferir na cena, com sua voz ou imagem, é uma perda de tempo. Não será o diretor, mas aquele que está ali, persona grata, que decidirá se vai ou não estar na cena proposta. O não-diretor desaparece, torna-se olho e ouvido. Quando não, é o tempo mesmo, o acontecimento, quem toma o olhar e grita.
A beleza do acaso, daquilo que não se espera, que ninguém saberia, se não a câmera.
 Esta é uma imagem que não está no filme. O Edifício Master são as pessoas. Olho e ouvido. Viva Eduardo Coutinho.
Escrito por Murilo às 17h58
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Pedro Moraleida
Gostaria de ilustrar esta indicação com uma das impressionantes imagens deixadas por este precoce e genial artista: Pedro Moraleida. Infelizmente, o site especial em sua homenagem póstuma não permite salvar as figuras.
Conheci Pedro por meio de minha grande amiga, igualmente talentosa, Daniela Maria, quando eu vivia em BH, em 1997. Eles eram colegas da Escola de Belas Artes da UFMG e estavem sempre juntos, influenciando-se mutuamente. Estive com ele algumas vezes, muitas delas em minha casa. Pedro era um rapaz de idéias fervilhantes e poucas palavras. Estas idéias estavam embutidas em sua obra e nos seus filmes, discos e artistas prediletos.
Participou de inúmeras exposições, individuais e coletivas e, aos vinte e poucos anos, se preparava para entrar na categoria dos grandes artistas plásticos mineiros (e brasileiros), com quadros e desenhos cujos valores aumentavam (e aumentam) a cada dia.
Seus temas transitavam entre a escatologia e a religião, misturando-as sempre com o bizarro, o grotesto e a beleza ruidosa dos vermelhos, negros, amarelos e azuis competindo-se. Seus Jesuses, santos e demônios têm os medos de uma humanidade alijada pela culpa e o desejo reprimido, em nome da moral católica. Vejo em Pedro o corpo como um templo saqueado, re-ocupado por objetos e animais a penetrar os orifícios, como que substituindo o falo implodido, destruído, de uma sociedade patriarcal perdida e triste.
Para a surpresa de todos, Pedro deu fim à sua vida. Um choque e uma lástima. Ficaram as obras e os amigos/admiradores, que lhe prestaram homenagem, ao reunirem num site poucas das suas múltiplas facetas. Visitem e terão uma boa surpresa!!
CAVE CAVE, DEUS VIDET!
Escrito por Murilo às 11h58
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