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| 13/05/2005 |
Auto-retrato provisório
Tenho jeito de menino e coração taurino, meio pedra, meio algodão. Sou besta, sim, apego-me fácil e gosto de oferecer préstimos, ainda que não me peçam. Portanto, sou besta, sim.
Frequento dois terapeutas, freud e florais, mais radioestesia, yoga e tal. Ginástica, mesmo, só no fio dental, ou nas andanças pela cidade cinza.
Se me deixam ir, viajo, vou longe, mas volto. A despeito do humor negro, sou retrógrado, e a despeito do efeito Darla, sou moçoila casadoira.
Meu trabalho é parte de mim, o resto é o que eu ainda não sei. Amar é outra coisa. Invento dias para viver melhor. Não quero acreditar em minhas penas, descobri o caminho da graça, nas amizades sinceras. Procuro não ser quem não sou. Adoro quem me obriga a ser melhor. Odeio subserviência. Olho para trás somente quando ouço barulho de chave caindo. Atendo sempre ao telefone. Sempre que posso, sorrio.
Se pudesse, renasceria ainda mais sertão. Sinto falta de sandálias de couro. Acredito nas energias primordiais e as chamo de Deus, para facilitar. Gosto da humanidade, sem desprezar as demais maravilhas formadas pelas energias primordiais: Deus, no fim das contas. Preciso melhorar a matemática.
Há muito tempo não faço o que não considero bom para mim. Meu anjo orienta minha vontade. Eu me amo. Desde que troquei de idéias comigo mesmo, sinto-me muito bem, obrigado.
Escrito por Murilo às 00h56
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Postei o seguinte comentário na comunidade Morrissey Brasil, do Orkut. Respondi à pergunta colocada no tópico do Fórum: "P q ele n assume?", no caso, sua suposta homossexualidade. Alguns termos foram ajustados aqui, porém sem alterar o sentido do texto. Gostarei de conhecer comentários dos amigos acerca deste meu comentário.
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Eu me lembro de quando Ney Matogrosso disse que, antes de ser gay, ele tinha muitos outros predicados e que este traço de sua personalidade não deveria aparecer antes, uma vez que corresponderia a um mínimo de sua identidade. Na verdade, porque o ser GAY é algo que se adianta no artista. Vejam Ney e MOZ, suas danças, seus repertórios.
No caso de MOZ, sua poética é, de certa forma, uma poética GAY, no sentido de vir de quem sofre, dentro do próprio meio G, o estigma de ser feio, de se expressar de modo menos superficial, de apontar os enrustidos (Sping-heeld Jim, William, entre tantos outros personagens), de excluir modismos como referências à sua constituição pessoal, de ser sempre vítima de olhares potenciais repressores...
Creio que, como músico, MOZ faz muito bem em não se ajustar, uma vez que esta sua postura se confrontaria com o modelo gay tresloucado da indústria fonográfica, repleto de Pet Shop Boys, Erasures etc, muito mais palatáveis e "vendáveis". MOZ está muito longe disso. Suas letras nos ajudam a mudar o mundo dentro do mundo. Que ele se mantenha impassível e superior. Para que esse mundinho de homens que fazem sexo com homens passe a significar o reduto dos sujeitos de percepção diferenciada da realidade, que cumprem a função cultural de avanço e abertura.
Espero que MOZ não se declare gay nunca, mas que produza discos como Vauxhall and I, com singelas canções de amor entre iguais, contrastadas com sua voz obcecada e sua denúncia afiada contra as gentes que não vivem o que desejam de verdade. O favor prestado por este artista aos Gays é incomensurável e, de certa forma, sua bandeira de luta passa por não assumir os ismos, sem deixar de viver suas escolhas políticas e pessoais, desde que elas não representem o núcleo de sua ideologia, muito mais ligada ao código de rompimento e combate que os gays mais importantes estabelecem na sociedade capitalista.
Escrito por Murilo às 00h27
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| 12/05/2005 |

Assisi ontem ao filme Non ti muovere, do italiano Sergio Castellitto. Há muito tempo não passava por uma experiência como esta. O filme é estonteantemente provocador. Mulher, homem, trabalho, família, infância... Tudo liquidificado com sensibilidade e crueza, o que prova que esta combinação é possível. Maravilhosa Penelope Cruz prova ser excelente atriz. Recomendo a todos, com um conselho: coma nada antes de assistir.
Escrito por Murilo às 14h31
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